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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

ABORTO DE ANENCÉFALOS

Nada no Universo ocorre como fenômeno caótico, resultado de alguma desordem que nele predomine. O que parece casual, destrutivo, é sempre efeito de uma programação transcendente, que objetiva a ordem, a harmonia.

De igual maneira, nos destinos humanos sempre vige a Lei de Causa e Efeito, como responsável legítima por todas as ocorrências, por mais diversificadas se apresentem.

O Espírito progride através das experiências que lhe facultam desenvolver o conhecimento intelectual enquanto lapida as impurezas morais primitivas, transformando-as em emoções relevantes e libertadoras.

Agindo sob o impacto das tendências que nele jazem, fruto que são de vivências a nteriore
s, elabora, inconscientemente, o programa a que se deve submeter na sucessão do tempo futuro.

Harmonia emocional, equilíbrio mental, saúde orgânica ou o seu inverso, em forma de transtornos de vária denominação, fazem-se ocorrência natural dessa elaborada e transata proposta evolutiva.

Todos experimentam, inevitavelmente, as consequências dos seus pensamentos, que são responsáveis pelas suas manifestações verbais e realizações exteriores.

Sentindo, intimamente, a presença de Deus, a convivência social e as imposições educacionais, criam condicionamentos que, infelizmente, em incontáveis indivíduos dão lugar às dúvidas atrozes em torno da sua origem espiritual, da sua imortalidade.

Mesmo quando se vincula a alguma doutrina religiosa, com as exceções compreensíveis, o comportamento moral permanece materialista, utilitarista, atado às paixões defluentes do egotismo.

Não fosse assim, e decerto, muitos benefícios adviriam da co nvicção espiritual, que sempre define as condutas saudáveis, por constituírem motivos de elevação, defluentes do dever e da razão.

Na falta desse equilíbrio, adota-se atitude de rebeldia, quando não se encontra satisfeito com a sucessão dos acontecimentos tidos como frustrantes, perturbadores, infelizes…

Desequipado de conteúdos superiores que proporcionam a autoconfiança, o otimismo, a esperança, essa revolta, estimulada pelo primarismo que ainda jaz no ser, trabalhando em favor do egoísmo, sempre transfere a responsabilidade dos sofrimentos, dos insucessos momentâneos aos outros, às circunstâncias ditas aziagas, que consideram injustas e, dominados pelo desespero fogem através de mecanismos derrotistas e infelizes que mais o degrada, entre os quais o nefando suicídio.

Na imensa gama de instrumentos utilizados para o autocídio, o que é praticado por armas de fogo ou mediante quedas espetaculares de edifícios, de abismos, desarticula o cérebro fí sico e praticamente o aniquila…

Não ficariam aí, porém, os danos perpetrados, alcançando os delicados tecidos do corpo perispiritual, que se encarregará de compor os futuros aparelhos materiais para o prosseguimento da jornada de evolução.

* * *

É inevitável o renascimento daquele que assim buscou a extinção da vida, portando degenerescências físicas e mentais, particularmente a anencefalia.

Muitos desses assim considerados, no entanto, não são totalmente destituídos do órgão cerebral.

Há, desse modo, anencéfalos e anencéfalos.

Expressivo número de anencéfalos preserva o cérebro primitivo ou reptiliano, o diencéfalo e as raízes do núcleo neural que se vincula ao sistema nervoso central.

Necessitam viver no corpo, mesmo que a fatalidade da morte após o renascimento, reconduza-os ao mundo espiritual.

Interromper-lhes o desenvolvimento no útero materno é crime hediondo em relação à vida. Têm vida sim, embora em padrões diferentes dos considerados normais pelo conhecimento genético atual…

Não se tratam de coisas conduzidas interiormente pela mulher, mas de filhos, que não puderam concluir a formação orgânica total, pois que são resultado da concepção, da união do espermatozoide com o óvulo.

Faltou na gestante o ácido fólico, que se tornou responsável pela ocorrência terrível.

Sucede, porém, que a genitora igualmente não é vítima de injustiça divina ou da espúria Lei do Acaso, pois que foi corresponsável pelo suicídio daquele Espírito que agora a busca para juntos conseguirem o inadiável processo de reparação do crime, de recuperação da paz e do equilíbrio antes destruído.

Quando as legislações desvairam e descriminam o aborto do anencéfalo, facilitando a sua aplicação, a sociedade caminha, a passos largos, para a legitimação de todas as formas cruéis de abortamento.

… E quando a Humanidade mata o feto, prepara-se para outro s hediondos crimes que a cultura, a ética e a civilização já deveriam haver eliminado no vasto processo de crescimento intelecto-moral.

Todos os recentes governos ditatoriais e arbitrários iniciaram as suas dominações extravagantes e terríveis, tornando o aborto legal e culminando, na sucessão do tempo, com os campos de extermínio de vidas sob o açodar dos mórbidos preconceitos de raça, de etnia, de religião, de política, de sociedade…

A morbidez atinge, desse modo, o clímax, quando a vida é desvalorizada e o ser humano torna-se descartável.

As loucuras eugênicas, em busca de seres humanos perfeitos, respondem por crueldades inimagináveis, desde as crianças que eram assassinadas quando nasciam com qualquer tipo de imperfeição, não servindo para as guerras, na cultura espartana, como as que ainda são atiradas aos rios, por portarem deficiências, para morrer por afogamento, em algumas tribos primitivas.

Qual, porém, a diferença entre a ati tude da civilização grega e o primarismo selvagem desses clãs e a moderna conduta em relação ao anencéfalo?

O processo de evolução, no entanto, é inevitável, e os criminosos legais de hoje, recomeçarão, no futuro, em novas experiências reencarnacionistas, sofrendo a frieza do comportamento, aprendendo através do sofrimento a respeitar a vida.

* * *

Compadece-te e ama o filhinho que se encontra no teu ventre, suplicando-te sem palavras a oportunidade de redimir-se.

Considera que se ele houvesse nascido bem formado e normal, apresentando depois algum problema de idiotia, de hebefrenia, de degenerescência, perdendo as funções intelectivas, motoras ou de outra natureza, como acontece amiúde, se também o matarias.

Se exercitares o aborto do anencéfalo hoje, amanhã pedirás também a eliminação legal do filhinho limitado, poupando-te o sofrimento como se alega no caso da anencefalia.

Aprende a viver dignamente agora, para que o teu seja um amanhã de bênçãos e de felicidade.

Joanna de Angelis 
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica de 11 de 
abril de 2012, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia. 
Em 14.04.2012.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

DESENCARNAÇÕES COLETIVAS




         Neste momento mostraremos a visão espírita dos desastres naturais e humanos que, de um só golpe, ceifam várias vidas e que causam, por isto, em muitas ocasiões, uma grande comoção no mundo inteiro.
         A tempestade Sandy causou mais de uma centena de mortes, milhares de desabrigados e bilhões de dólares de prejuízo nos Estados Unidos da América. Antes dela, outros desastres, como os furacões Katrina e Irene, haviam causado mais mortes e mais danos. Por outro lado, temos as tragédias ocasionadas pela imprevidência humana, como as quedas de aviões, naufrágios de barcos e navios, incêndios de grandes imóveis. Ante este cenário surgem-nos os questionamentos: Onde está Deus com suas misericordiosas e justas Leis nestas horas? Por que Deus permite estas desencarnações coletivas? Ou será tudo obra do acaso?
     A doutrina espírita responde estas e outras questões sobre estes tristes acontecimentos. Primeiramente vamos colher informes na obra fundamental do Espiritismo: O Livro dos Espíritos. Na questão 737 temos a seguinte pergunta com a sua respectiva resposta: “Com que fim fere Deus a Humanidade por meio de flagelos destruidores? ‘ Para fazê-la progredir mais depressa. Já não dissemos ser a destruição uma necessidade para a regeneração moral dos Espíritos, que, em cada nova existência, sobem um degrau na escala do aperfeiçoamento? Preciso é que se veja o objetivo, para que os resultados possam ser apreciados. Somente do vosso ponto de vista pessoal os apreciais; daí vem que os qualificais de flagelos, por efeito do prejuízo que vos causam. Essas subversões, porém, são freqüentemente necessárias para que mais pronto se dê o advento de uma melhor ordem de coisas e para que se realize em alguns anos o que teria exigido muitos séculos.’ “. Para aqueles que acreditam que somos apenas este corpo de carne e osso ou que crêem que temos apenas esta vida, desastres dessa natureza representam o fim de tudo ou, simplesmente, um castigo de Deus, selando para todo o sempre os nossos destinos no céu ou no inferno. Mas não somos o corpo carnal, como uma roupa que se troca todos os dias, somos espíritos imortais, eternos.  Na verdade tivemos e teremos várias outras existências para cumprirmos o chamamento de Jesus de Nazaré: “Sede, pois, vós outros, perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celestial.” (MATEUS, 5:48). Por isso, para a doutrina espírita estas mortes coletivas não é algo tenebroso, negro ou ruim como muitos pensam, mas um momento de renovação moral e espiritual para a humanidade,  fazendo-nos refletir mais sobre a fragilidade carnal e a essência espiritual de cada um de nós.

       Com o fenômeno da reencarnação, que é o retorno do espírito em outros corpos até atingir a condição de Espírito Puro, passamos a compreender que estes sinistros são um resgate de débitos contraídos em vidas passadas. As vítimas de hoje foram os algozes de ontem! É o que vemos no livro “Chico Xavier pede licença”, numa mensagem de Emmanuel, guia espiritual do médium Francisco Cândido Xavier: “Invasores ilaqueados pela própria ambição, que esmagávamos coletividades na volúpia do saque, tornamos à Terra com encargos diferentes, mas em regime de encontros marcado para a desencarnação conjunta em acidentes públicos.
Exploradores da comunidade, quando lhe exauríamos as forças em proveito pessoal, pedimos a volta ao corpo denso para facearmos unidos o ápice de epidemias arrasadoras.
Promotores de guerras manejadas para assalto e crueldade pela megalomania do ouro e do poder, em nos fortalecendo para a regeneração, pleiteamos o Plano Físico a fim de sofrermos a morte de partilha, aparentemente imerecida, em acontecimentos de sangue e lágrimas.
Corsários que ateávamos fogo a embarcações e cidade na conquista de presas fáceis, em nos observando no Além com os problemas da culpa, solicitamos o retorno à Terra para a desencarnação coletiva em dolorosos incêndios, inexplicáveis sem a reencarnação.”
           Mas para todo esse processo de resgate há uma programação? A resposta desta vez fica com Divaldo Pereira Franco, o maior orador espírita da atualidade, no livro “Divaldo Franco Responde”, da editora Intelítera: “Poderia parecer que os benfeitores programam a desencarnação coletiva. Não é exatamente assim. Quando as circunstâncias mesológicas favorecem o acidente, os benfeitores têm conhecimento anterior. Vamos imaginar a possibilidade de uma falha em qualquer um dos equipamentos, a possibilidade de equivoco humano, os fatores climatéricos, as circunstâncias geológicas como terremotos, maremotos, erupções vulcânicas, tsunamis, então uma lei de afinidades atrai os indivíduos àquele evento que ensejará a libertação dos crimes do passado em forma coletiva.” Mais adiante ele completa: “o acaso, o improviso nas leis soberanas seria o resultado de um trabalho muito bem elaborado para dar certo naquele momento, que é o objetivo da programação.”
           Por fim, cabe ressaltar, que mesmo sendo estas tragédias fatos que causam grande comoção para os encarnados e os desencarnados, devemos ficar tranqüilos, pois nossos irmãos que passam por provações dolorosas são auxiliados pela  Espiritualidade Superior. É o que se percebe nesta visão espiritual de um desastre aéreo: “A cena aflitiva parecia desenrolar-se ali mesmo. Oito dos desencarnados no acidente jaziam em posição de chague, algemados aos corpos, mutilados ou não; quatro gemiam, jungidos aos próprios restos, e dois deles, não obstante ainda enfaixados às formas rígidas, gritavam desesperados, em crises de inconsciência. Contudo, amigos espirituais, abnegados e valorosos, velavam ali, calmos e atentos. Figurando-se cascata de luz vertendo do Céu, o auxílio do Alto vinha, solícito, em abençoada torrente de amor.” (Ação e Reação – médium Chico Xavier / espírito André Luiz - FEB).


 Por Ramsés Mesquita
Dirigente do CEAL

Texto publicado originalmente no jornal "Correio Popular" de Imperatriz/MA no dia 11/11/2012.