sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

NATAL



"Glória a Deus nas Alturas, paz na Terra e boa-vontade para com os
homens." - Lucas, 2:14.

As legiões angélicas, junto à Manjedoura, anunciando o Grande
Renovador, não apresentaram qualquer palavra de violência.
Glória a Deus no Universo Divino.
Paz na Terra.
Boa-vontade para com os Homens.
O Pai Supremo legando a nova era de segurança e tranquilidade ao
mundo, não declarava o Embaixador Celeste investido de poderes
para ferir ou destruir.
Nem castigo ao rico avarento.
Nem punição ao pobre desesperado.
Nem desprezo aos fracos.
Nem condenação aos pecadores.
Nem hostilidade para com o fariseu orgulhoso.
Nem anátema contra o gentio inconsciente.
Derramava-se o Tesouro Divino, pelas mãos de Jesus, para o serviço
da Boa-Vontade.
A justiça do "olho por olho" e do "dente por dente" encontrara, enfim,
o Amor disposto à sublime renúncia até à cruz.
Homens e animais, assombrados ante a luz nascente na estrebaria,
assinalaram júbilo inexprimível...
Daquele inolvidável momento em diante a Terra se renovaria.
O algoz seria digno de piedade.
O inimigo converter-se-ia em irmão transviado.
O criminoso passaria à condição de doente.
Em Roma, o povo gradativamente extinguiria a matança nos circos.
Em Sídon, os escravos deixariam de ter os olhos vazados pela
crueldade dos senhores. Em Jerusalém, os enfermos não mais seriam
relegados ao abandono nos vales de imundície.
Jesus trazia consigo a mensagem da verdadeira fraternidade e, revelando-a, transitou vitorioso, do berço de palha ao madeiro sanguinolento.
Irmão, que ouves no Natal os ecos suaves do cântico milagroso dos anjos, recorda que o Mestre veio até nós para que nos amemos uns aos outros.
Natal! Boa Nova! Boa-Vontade!...
Estendamos a simpatia para com todos e comecemos a viver
realmente com Jesus, sob os esplendores de um novo dia.

Livro: Fonte Viva - Espírito Emmanuel
psicografia de Chico Xavier

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

MADAME ALLAN KARDEC




Amélie-Gabrielle Boudet nasceu no dia 23 de Novembro de 1795, correspondente ao dia 2 do Frimário do Ano IV, do então vigente calendário Revolucionário, na cidade de Thiais, na França.
Nesta sua última encarnação, teve como pais o Sr. Julien-Louis Boudet, Tabelião, e Sra. Julie-Louise Seigneat de Lacombe. Possuira uma família de renomados intelectuais e de pessoas bem colocadas na vida.
Como filha única, tivera uma educação de altíssima qualidade igualmente àquela em que as pessoas de posse à época recebiam. Naquele tempo havia muitas escolas internatos para moças de 15 a 18 anos. Formou-se Professora de primeira classe, Letras e Belas Artes. Culta e inteligente, com pendor para a poesia e o desenho, escreveu três obras: Contos Primaveris (1825), Noções de Desenho (1826) e O Essencial em Belas Artes (1828).
No dia 6 de Fevereiro de 1832 casou-se com um jovem diretor de instituto de ensino chamado Prof. Hippolyte Leon Denizard Rivail, que mais tarde seria conhecido como Allan Kardec. A Sra. Rivail secundou o seu marido em todos os seus afazeres de professor e educador, sempre como muito amor e dedicação.
Assim a descreve Canuto Abreu no seu livro “O Livro dos Espíritos e Sua Tradição Histórica e Lendária”: “Miudinha, graciosa, muito vivaz, aparentava a mesma idade do marido, apesar de nove anos mais velha. Os cabelos crespos e bastos, outrora castanhos, repartidos ao meio e descidos até os ombros, onde as pontas dobradas se prendiam por sobre a nuca num elo de tartaruga, começavam apenas a grisalhar, dando-lhe ao semblante um ar de amável austeridade. As faces cheias, coradas ao natural, quase sem rugas, denotavam trato e boa saúde. A testa larga e alta, encimando sobrancelhas circunflexas, acusava capacidade intelectual. Os olhos pardos e rasgados, indicavam sagacidade e doçura. O nariz fino e reto, impunha confiança em seu caráter. Os lábios delicados, prontos a sorrir, amparavam seu olhar perscrutador, desarmando prevenções mas exigindo constante respeito”.
Quando Rivail, com o lançamento de “O Livro dos Espíritos”, em 18 de Abril de 1857, tornou-se Allan Kardec, Gaby, como era carinhosamente chamada por ele, esposou integralmente a “missão da vida” do seu nobre esposo. Ajudou-o na publicação dos seus livros espíritas, na redação da “Revista Espírita” e nas atividades da “Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas” (SPEE), sendo em tudo o seu braço forte.
No ano fatídico da desencarnação de Allan Kardec, em 1869, Madame Kardec estava com 73 anos e herdou todos os direitos relativos às obras de Kardec e também imóveis seus que, nos planos do codificador, seriam utilizados futuramente para amparar espíritas que estivessem passando por alguma dificuldade financeira.
Madame Allan Kardec, mesmo diante da perda do esposo, continuou como grande divulgadora da doutrina espírita, tendo ao longo de sua jornada   o apoio incondicional de um grande discípulo de Kardec, Pierre Gäetan Leymarie. Dentre suas várias ações objetivando vulgarizar o Espiritismo, está a fundação da “Sociedade anônima do Espiritismo” em 1869. Porém não satisfeita com o nome da Sociedade, que possuía um viés comercial, Amelie, em 18 de outubro de 1873, em Assembléia Geral, na SPEE, o altera para “Sociedade para a Continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec”.
Quase uma década depois, às 5 horas da madrugada do dia 21 de janeiro de 1883, desencarnava pois este grande ícone do espiritismo. Tinha então 87 anos e ainda assim desfrutava de uma incrível vivacidade, conseguindo ler sem a ajuda de óculos e escrever com firmeza, pronta para dar continuidade à missão iniciada pelo seu esposo.
No seu funeral, Gabriel Dellane, grande cientista espírita e pupilo de Kardec, assim desenha a missão de Gaby: “A Sra. Allan Kardec foi, verdadeiramente, a mulher forte, segundo o Evangelho. Tornando-se a esposa do grande vulgarizador do Espiritismo, adotou suas idéias. Empregou todas as suas energias no estudo dos novos princípios; venceu os preconceitos de seu século e de sua educação e se elevou, por sua vontade, até à altura do espírito de nosso Mestre.”
“Ela provou, pela continuidade, pelo profundo apego que manteve por nossa maneira de ver, que o Espiritismo havia penetrado vivamente em seu coração.”
“Sim, essas grandes e sublimes verdades que nossa filosofia professa lhe deram a coragem de ajudar ardentemente o propagador da nova fé e sustentá-lo nas lutas muitas vezes penosas de apostolado.”
“A companheira de um homem superior sente quantos deveres particulares lhe cabem; não somente ela tem, como toda esposa devotada, a tarefa de o cercar de amor e de atenções, porém, tem, além disso, a santa missão de fortalecer sua alma nas horas dolorosas das provas. Deve acalmar os cruéis ferimentos que fazem ao coração dos campeões do progresso o ódio e o sarcasmo. Ela deve encontrar essas boas palavras que são para a alma bálsamos soberanos. Deve, enfim, por sua energia, dar forças ao atleta fatigado.”
“Pois bem, a Sra. Allan Kardec foi essa mulher; não faliu na alta missão que lhe foi confiada.”
“Durante as viagens de seu marido, pela França, ela o cercou com sua solicitude e sua perspicácia, confundindo, muitas vezes, pela segurança de seu julgamento, os que desejavam explorar a bondade tão conhecida do Mestre.”
“Allan Kardec se inspirou em sua inteligência tão justa para a elaboração de suas obras; não as publicou nenhuma, sem a ter consultado e, muitas vezes, aproveitou suas sugestões que a retidão de julgamento de sua companheira fornecia.”
“É pois, uma dupla perda que temos neste momento: a de uma mulher de coração, devota às nossas idéias e a de uma colaboradora do homem de gênio que nós recordamos.”(1) .
           Por fim, podemos declarar que Amelie e Kardec foram companheiros na vida, nos sonhos e nos ideais, sendo a máxima: “por trás de um grande homem, há sempre uma grande mulher” verdadeiramente representada  por Amélie Gabrielle Boudet, Madame Allan Kardec!

(1) Gabriel Delanne, Vida e Obra - Paul Bodier e Henri Regnault.


Por Ramsés da Silva Mesquita Maciel
Dirigente do CEAL

* Artigo publicado originalmente no jornal "Correio Popular" de Imperatriz/MA no dia 30.06.2013

terça-feira, 15 de novembro de 2016

A PRECE DE CÁRITAS












Transmitida pelo espírito chamado Cáritas, por intermédio da médium Mme. W. Krell, na noite de Natal em 25 de dezembro de 1873, a um grupo espírita da cidade de Bordeaux, na França, a Prece de Cáritas é uma das preces espíritas mais belas e mais conhecida de todos os tempos! Cáritas, espírito iluminado, assim apresentou-se a médium madame Krell no primeiro encontro de ambas: “Chamo-me Caridade, sou o caminho principal que conduz a Deus; segui-me eu sou a meta a que vós todos deveis visar”. Na verdade, sabe-se muito pouco sobre este espírito evoluído, como bem se observa na informação contida na Revista Espírita de 1862, no mês de Fevereiro: “Todas as comunicações de Cárita são marcadas pelo mesmo sinete de bondade e de simplicidade. Evocada na Sociedade de Paris, disse ter sido Santa Irene, imperatriz.”. 

Outra informação também está presente na assinatura de uma das suas mensagens presente no livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, capítulo XIII, item 13: “Cárita, martirizada em Roma.”. Conclui-se portanto, que Cárita ou foi a Irene de Atenas, uma Imperatriz bizantina que reinou entre 797 e 802 d.C, ou a Santa Irene, martirizada em Roma no ano de 304 da era cristã, época em que reinava o Imperador Diocleciano, sanguinário perseguidor dos cristãos. Mais curiosidades: uma das irmãs da santa Irene se chamava Ágape, um dos nomes do amor, sinônimo de caridade (Cárita). 

O espírito Cáritas era muito querido na época do surgimento da Doutrina Espírita como nota-se nesta passagem: “Foi conduzida aqui por um Espírito muito conhecido do mundo espírita lionês e, mesmo, do mundo espírita europeu (o sonâmbulo-médium descreve o Espírito Cárita).” (1)

Cáritas transmitiu várias outras lindas mensagens, dentre elas: "Como servir a religião espiritual" e "A esmola espiritual". Há ainda comunicações deste nobre espírito inseridas nas obras da Codificação, duas no “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, capítulo XIII, Não Saiba A Vossa Mão Esquerda O Que Dê A Vossa Mão Direita, itens 13 e 14; e várias mensagens nas Revistas Espíritas, anos de 1862, 1864, 1865 e 1867, de Allan Kardec.

A Madame Krell, uma das maiores médiuns psicográficas do século XIX, recebeu mensagens de outros nobres espíritos da literatura universal e da Codificação Espírita como Alfred de Musset, Edgard Allan Poe, Espírito de (da) Verdade, Dumas, Lacordaire, Lamennais, Pascal, Ésopo, Fénelon, entre outros. As belíssimas comunicações mediúnicas desta excepcional médium estão quase todas compiladas nesta obra “Rayonnementes de la Vie Spirituelle”, ou na versão brasileira, “Reflexos da Vida Espiritual”, publicado pela editora CELD. Um detalhe chama a atenção no original francês deste livro, o nome do espírito Cáritas, está grafado Cárita, no singular, no entanto, popularizou-se no plural.

A Oração de Cáritas de maneira simples e atemporal, inspira a busca da comunhão entre Deus e o homem, fazendo com que este reconheça sua fragilidade, impotência e dependência deste diante do poder divino, como se observa na sua transcrição integral:


“Deus, nosso Pai, que sois todo Poder e Bondade, dai a força àquele que passa pela provação, dai a luz àquele que procura a verdade; ponde no coração do homem a compaixão e a caridade!

Deus, Dai ao viajor a estrela guia, ao aflito a consolação, ao doente o repouso.

Pai, Dai ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade, à criança o guia, e ao órfão o pai!

Senhor, que a Vossa Bondade se estenda sobre tudo o que criastes. Piedade, Senhor, para aquele que vos não conhece, esperança para aquele que sofre. Que a Vossa Bondade permita aos espíritos consoladores derramarem por toda a parte, a paz, a esperança, a fé.

Deus! Um raio, uma faísca do Vosso Amor pode abrasar a Terra; deixai-nos beber nas fontes dessa bondade fecunda e infinita, e todas as lágrimas secarão, todas as dores se acalmarão.

E um só coração, um só pensamento subirá até Vós, como um grito de reconhecimento e de amor.

Como Moisés sobre a montanha, nós Vos esperamos com os braços abertos, oh Poder!, oh Bondade!, oh Beleza!, oh Perfeição!, e queremos de alguma sorte merecer a Vossa Divina Misericórdia.

Deus, dai-nos a força para ajudar o progresso, afim de subirmos até Vós; dai-nos a caridade pura, dai-nos a fé e a razão; dai-nos a simplicidade que fará de nossas almas o espelho onde se refletirá a Vossa Divina e Santa Imagem.

Assim Seja.”


Por fim, que esta Divina prece possa vivificar a presença do Cristo em nossas vidas e que a paz e o consolo divino possam alcançar a todos através desse manancial de luz trazido pela espiritualidade superior!



(1) Revista Espírita – 1865 – Dezembro - FEB


Por Ramsés da Silva Mesquita Maciel (Dirigente do CEAL)


* Artigo publicado originalmente no jornal "Correio Popular", de Imperatriz/MA, no dia 09.12.2012.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

ANTE OS QUE PARTIRAM




Nenhum sofrimento, na Terra, será talvez comparável ao daquele coração que se debruça sobre outro coração regelado e querido que o ataúde transporta para o grande silêncio.
Ver a névoa da morte estampar-se, inexorável, na fisionomia dos que mais amamos, e cerrar-lhes os olhos no adeus indescritível, é como despedaçar a própria alma e prosseguir vivendo...
Digam aqueles que já estreitaram de encontro ao peito um filhinho transfigurado em anjo da agonia; um esposo que se despede, procurando debalde mover os lábios mudos; uma companheira, cujas mãos consagradas à ternura pendem extintas; um amigo que tomba desfalecente para não mais se erguer, ou um semblante materno acostumado a abençoar, e que nada mais consegue exprimir senão a dor da extrema separação, através da última lágrima!
Falem aqueles que, um dia, se inclinaram, esmagados de solidão, à frente de um túmulo; os que se rojaram em prece nas cinzas que recobrem a derradeira recordação dos entes inesquecíveis; os que caíram, varados de saudade, carregando no seio o esquife dos próprios sonhos; os que tatearam, gemendo, a lousa imóvel, e os que soluçaram de angústia, no adito dos próprios pensamentos, perguntando, em vão, pela presença dos que partiram...
Todavia, quando semelhante provação te bata à porta, reprime o desespero e dilui a corrente da mágoa na fonte viva da oração, porque os chamados mortos são apenas ausentes e as gotas de teu pranto lhes fustigam a alma como chuva de fel.
Também eles pensam e lutam, sentem e choram.
Atravessam a faixa do sepulcro como quem se desvencilha da noite, mas, na madrugada do novo dia, inquietam-se pelos que ficaram... Ouvem-lhes os gritos e as súplicas, na onda mental que rompe a barreira da grande sombra e tremem cada vez que os laços afetivos da retaguarda se rendem à inconformação ou se voltam para o suicídio.
Lamentam-se quanto aos erros praticados e trabalham, com afinco, na regeneração que lhes diz respeito.
Estimulam-te à prática do bem, partilhando-te as dores e as alegria.
Rejubilam-se com as tuas vitórias no mundo interior e consolam-te nas horas amargas para que te não percas no frio do desencanto.
Tranqüiliza, desse modo, os companheiros que demandam o Além, suportando corajosamente a despedida temporária, e honra-lhes a memória, abraçando com nobreza os deveres que te legaram.
Recorda que, em futuro próximo que imaginas, respirarás entre eles, comungando-lhes as necessidades e os problemas, porquanto terminarás também a própria viagem no mar das provas redentoras...
E, vencendo para sempre o terror da morte, não nos será lícito esquecer que Jesus, o nosso Divino Mestre e Herói do Túmulo Vazio, nasceu em noite escura, viveu entre os infortúnios da Terra e expirou na cruz, em tarde pardacenta, sobre um monte empedrado, mas ressuscitou aos cânticos da manhã, no fulgor de um jardim.

Emmanuel
Fonte: "Religião dos Espíritos", Francisco C. Xavier (Médium) / Emmanuel (Espírito) - FEB

sábado, 29 de outubro de 2016

TUDO É MAGNETISMO



Tudo é magnetismo no campo universal.


A gota d’água obedece aos imperativos da afinidade química, os sóis se harmonizam, através da atração, dentro da leis cósmicas.


Imantamo-nos uns aos outros, pelos laços do amor ou do ódio, e, pelo perdão ou pela vingança, algemamo-nos mutuamente.


Em razão disso, imaginar é centralizar energias na direção dos objetivos que nos propomos alcançar.


Quem ama e ajuda acende claridade sublime. Quem odeia e perturba arremessa treva espessa para fora de si.


Nessa cadeia de manifestações da nossa vontade, todos nós magnetizamos, pessoas, situações e elementos, nas vibrações de nosso propósito atuante, para trazê-los ao nosso círculo pessoal.


Será o amanhã, segundo idealizamos hoje, tanto quanto hoje é o reflexo de ontem.


A mente estende fios vivos, em todos os lugares, por onde transitam os interesses que lhe dizem respeito e, através desses fios potentes e milagrosos, apesar de invisíveis, atingimos a concretização dos mais recônditos intentos.


Mentalizando, o homem sobe ao céu ou desce ao inferno, porque nós mesmos, segundo as diretrizes ocultas que preferimos, nos elevamos às culminâncias da luz ou nos arremessamos aos despenhadeiros da sombra.


Guarde, pois, cauteloso, a fonte dos seus pensamentos que a cada mundo, se fazem agentes ativos de suas deliberações no bem ou no mal, onde o seu espírito estiver trabalhando.


Toda criatura emite e recebe aflúvios e ondas de criação, renovação e destruição, no campo das idéias, porquanto a idéia é a força plástica, exteriorizante e inextinguível da alma eterna, no infinito do espaço e do tempo.


De acordo com os projetos que você apresentar à vida, a vida, que é a gloriosa manifestação de Deus, responderá a você com as realizações desejadas.


Subir e descer, esperar ou desesperar, lucrar ou perder, melhorar ou piorar, crescer ou reduzir, avançar ou estacionar resultam de nossa atitude interior.


Vigie o pensamento e a vontade, para que se desenvolvam e marchem, dentro dos moldes do ilimitado Bem e jamais se arrependerá, porque o próprio Cristo ensinou, de viva voz, que “o homem possui o seu tesouro onde guarda o coração”.


Pelo Espírito Ismael Souto
Na obra “Nosso Livro”
Francisco Cândido Xavier

sábado, 15 de outubro de 2016

SANTA TERESA, A GRANDE MÉDIUM D’ÁVILA


Neste artigo trazemos à tona alguns fatos da vida da Padroeira de Imperatriz/MA que poucas pessoas conhecem e que revelam um dos vários dons dela: O dom da mediunidade.

Inicialmente queremos falar que os fatos aqui narrados foram pinçados de livros biográficos que possuem a marca do IMPRIMATUR, o aval de legitimidade dado pela Igreja Católica às obras literárias. E que também não desejamos, de modo algum, ofender os nossos irmãos católicos, pois temos vários seguidores da nossa doutrina que tiveram como primeira religião o Catolicismo, e como exemplo maior temos o nosso Chico Xavier, que foi o Maior médium espírita do mundo – eleito em 2012, por programa de uma emissora de TV, como “O Maior Brasileiro de Todos os Tempos”!

A mediunidade é a capacidade de perceber o mundo espiritual. E esse contato com os espíritos (que as outras religiões e a cultura popular denominam de anjos, demônios, deuses, espírito santo, santos, gênios, manes...) dá-se por múltiplas formas: vendo, ouvindo, sentindo, pressentindo, falando e até tocando os espíritos. A principal mediunidade da Santa Teresa de Jesus foi a de ver as almas desencarnadas e o plano espiritual: a Clarividência.

Em muitas passagens de sua autobiografia (1), ela relata as suas visões. “Apareceu-me Cristo com grande vigor, dando-me a entender quanto aquilo Lhe pesava. Vi-O com olhos da alma, mais claramente do que O poderia ver com os olhos do corpo e ficou aquilo tão bem impresso em mim que agora passados vinte e seis anos ainda me parece que O tenho presente...”. Neste trecho ela viu o Espírito de Cristo, admoestando-a por uma atitude errada. Interessante notar a descrição de como ela viu o Espírito de Jesus de Nazaré: “Vi-O com olhos da alma”. Esta informação está conforme a resposta obtida por Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, à questão 428 feita aos Espíritos Superiores: “Qual a causa da clarividência (...)? ‘Já o dissemos: É a alma que vê.’”. Portanto, a pessoa que tem a faculdade mediúnica de ver os espíritos, mesmo que tape os olhos carnais com as mãos, ou colocando um lençol ou um capuz sobre a cabeça, ainda assim continuará a vê-los, pois enxerga com a visão espiritual.

Mas a grande mística de Ávila não viu apenas Jesus, viu também outros Espíritos Iluminados. O biografo de São Pedro de Alcântara, Frei Estefânio Piat (2), assim relata: “Santa Teresa (...) viu Francisco de Assis e Antônio de Pádua ladeando Pedro de Alcântara para lhe servir de ajudantes, num ofício religioso.”.

O Frei Pedro de Alcântara foi o maior amigo da Santa padroeira da nossa cidade e  apareceu, em espírito, para ela em várias oportunidades: “O próprio céu ratifica esse julgamento quando, depois da morte, Frei Pedro aparece à Reformadora do Carmelo, rodeado pelo brilho fulgurante de sua beatitude e diz-lhe em tom penetrante: ‘O bendita penitência, que me valeu tamanho peso de glória!’”.

A amizade entre os dois, Santa Teresa e São Pedro, continuou por longo tempo, mesmo depois do desencarne (morte corporal) do segundo: “Diversas vezes, quando as coisas se apertavam, ele apareceu à querida carmelita para guiá-la e encorajá-la.”.

A Santa fazia igual a nós espíritas quando precisamos de alguma orientação ou consolo da Espiritualidade Superior, evocava o espírito do Frei Pedro: “Quando Madre Teresa sentia qualquer desgosto ou sofria alguma contradição, costumava INVOCÁ-LO e se via impreterivelmente ouvida.”.
Sobre o Espírito de São Pedro de Alcântara, ela disse em outra passagem: “Tenho-o visto muitas vezes com grandíssima glória. Parece-me que muito mais me consola do que quando aqui estava.”.

Com tudo isso, vemos claramente que a mediunidade não é exclusividade dos espíritas, é um fenômeno da Natureza Humana! Todos os homens e mulheres podem tê-la, sejam espíritas, católicos, evangélicos, judeus, budistas, hinduístas, mulçumanos ou ateus, pois a manifestação mediúnica independe da crença ou da religião das pessoas!

(1)  Vida de Santa Teresa de Jesus Escrita por Ella Misma, impressa pela primeira vez em Salamanca, 1958, sob os cuidados de Frei Luis de Léon.
(2)   São Pedro de Alcântara, por Frei Estefânio José Piat, Ed. Vozes, Petrópolis, RJ, 1962.

Autoria: Ramsés Mesquita (Dirigente do CEAL)

Artigo publicado no jornal “Correio Popular’, da cidade de Imperatriz/MA, no dia 14/10/2012.


terça-feira, 4 de outubro de 2016

PEQUENA BIOGRAFIA DE ALLAN KARDEC



        Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais conhecido como Allan Kardec, nasceu no dia 03 de outubro de 1804, na cidade de Lyon, na França. Filho de Jean-Baptiste Antoine Rivail, Juiz, e Jeanne Louise Duhamel. A sua nobre família tinha vários antepassados que militaram na advocacia e na magistratura e era de orientação religiosa católica. “Denizard Rivail era um alto e belo rapaz, de maneiras distintas, humor jovial na intimidade, bom e obsequioso.”(1) Assim o descreve um dos seus biógrafos, Henri Sausse. Casou-se com Amélie-Gabrielle Boudet, professora de 1ª classe, mas não tiveram filhos.

        Aos 10 anos de idade Rivail foi enviado à cidade de Yverdon, na Suíça, a fim de complementar e consolidar seus estudos no célebre Instituto de Educação do professor Johann Heinrich Pestalozzi, o “Educador da Humanidade”, tornando-se, mais tarde, um dos seus distintos discípulo.

       Rivail bacharelou-se em Letras e Ciências, era um excelente pedagogo e possuía notável saber em múltiplas disciplinas, como Lógica e Retórica, Aritmética, fisiologia e medicina, ensinando-as com maestria aos seus alunos. Poliglota, falava fluentemente o alemão, o inglês, o italiano, o espanhol e o holandês, e conhecia profundamente o grego e o latim.



         Autor prolífico produziu quase 30 obras didáticas, algumas delas com milhares de exemplos para facilitar a aprendizagem. Traduziu várias obras para o francês como, por exemplo, Telêmaco, de Fénelon. Como celebre professor que era, recebeu mais de uma dezena de diplomas de diversas academias e sociedades francesas. Pedagogo por excelência fundou duas instituições de ensino e também lecionou gratuitamente para várias crianças que não podiam pagar pensão.      

          Em 1854, soube, por intermédio do seu grande amigo e companheiro de estudos do magnetismo, o Sr. Fortier, dos fenômenos das “Mesas Girantes”, em que esses móveis se deslocavam, dançavam, falavam e até respondiam a perguntas. De mente racional e positiva, sem aceitar ou descartar nada a priori, Rivail respondeu ao seu amigo: “eu acreditarei quando vir e quando me tiverem provado que uma mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir, e que se pode tornar sonâmbula. Até lá, permita-me que não veja nisso senão uma fábula para provocar o sono.”(1). Rivail foi a uma dessas reuniões e viu algo muito maior do que a realidade destes fenômenos, Ele viu que havia uma filosofia divina e consoladora por trás destas manifestações espirituais.

          Dois anos depois, Rivail recebeu duas comunicações mediúnicas que mudariam a sua vida para sempre. Numa, um espírito protetor chamado Zéfiro comunica-lhe que ele, Rivail, fora, em uma de suas vidas passadas, um sacerdote druida, denominado Allan Kardec. Na outra, soube através do Espírito da Verdade, que o guiaria, que ele tinha uma grande Missão a cumprir: Codificar a Doutrina Espírita. A partir de então, Rivail torna-se Kardec. Sob a orientação dos Espíritos Superiores, Kardec passa a trabalhar dia e noite no cumprimento do seu desiderato.

          No dia 18 de Abril de 1857, surge “O Livro dos Espíritos”, obra basilar deste edifício divino que é o Espiritismo. Depois deste livro, apareceram: “O Livro dos Médiuns” (1861), “O Evangelho Segundo o Espiritismo” (1864), “O Céu e o Inferno” (1865) e “A Gênese” (1868). Formando assim o Pentateuco Kardequiano.

         Kardec fundou, em 1858, a “Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas”, na qual ficou como presidente por vários anos, sempre reeleito por aclamação; e também lançou, neste mesmo ano, a “Revista Espírita”, periódico em que debatia os fenômenos espíritas acontecidos na Europa e em todo o mundo. Como Paulo de Tarso, viajou por várias cidades da França e da Bélgica divulgando os princípios do Consolador Prometido – A Doutrina dos Espíritos.

        Allan Kardec desencarnou no dia 31 de março de 1869, em Paris, na sua residência, quando preparava os seus pertences para a mudança de endereço que iria realizar. A causa da sua ida para o mundo espiritual foi um aneurisma.

        Se não tivéssemos Kardec, teríamos Rivail, um grande educador francês. Contudo, Deus e a Espiritualidade Maior quiseram, para o nosso bem, que ficássemos com Allan Kardec, o Grande Educador Espiritual da Humanidade!



(1) Biografia de Allan Kardec - Henri Sausse - FEB editora



Ramsés da Silva Mesquita Maciel


Publicado no jornal "Correio Pupular", no dia 30.09.2012.